Disciplina

Faz a tua parte e nada mais te é exigido.

Quantas ideias navegam a nossa mente entre o que foi e o que será. O revivalismo de quando eu era, quando fazia e agora não consigo, não faço, gostava de resgatar esses tempo. O futuro de quando eu for, quando eu tiver isto, serei diferente. Quando atingir determinada meta conseguirei ser do jeito que quero… E anda-se no limbo entre dois tempos que não existem.

Se sou o autor da minha história, tenho de ser o protagonista dela já. No momento presente, aqui e agora. Dar os passos no sentido da construção. Valorizar o que sou agora com todas as qualidades e defeitos. Mas acima de tudo, perceber onde não aceito, onde não respeito, onde mora o conflito que me traz ânsias, que me faz paralisar e que me mantém insatisfeit@. É aí que tenho de observar, cuidar e trabalhar para mudar esse estado para outro que me satisfaça.

É ótimo estabelecer metas, objetivos e agir nesse sentido, dar os passos, focar na direção. Contudo, nós apressados, queremos tudo para já. E depois entramos em guerra connosco. Então se estou a caminhar, a fazer, porquê que não me acontece?

Ora a vida tem tempos para nós diferentes do tempo que queremos. Gosto muito da frase, “não faças muitos planos para vida para não estragar os planos que a vida tem para ti”. E por vezes podemos achar que estamos bem alinhados com os nossos objetivos, mas para lá chegar temos de trabalhar outras áreas, tomar outros trilhos, amadurecer primeiro, para que o objetivo aconteça. E como estamos tão focados no objetivo não olhamos para os outros trilhos que nos estão a ser propostos, não os aceitamos, pois achamos que não encaixa no que traçámos para nós.
Outras as vezes os objetivos não estão alinhados de todo com a voz do nosso coração, pelo que se não for por ali, por mais que tentemos, a coisa não se dá. Mas mais uma vez se escutarmos, a vida vai dando pistas, para nos colocar no caminho que está alinhado connosco.

Mas acima de tudo, a vida pede disciplina. Disciplina com a verdade que ressoa cá dentro. Que os gestos e atitudes e toda a ação transporte essa verdade connosco. Que sejamos responsáveis com as nossas habilidades, que as ponhamos em uso. Que as pratiquemos como o ar que respiramos. É esse o nosso chamado. E temos duas opções: aceitamos a chamada conscientemente e fluímos com ela ou não atendemos a chamada e fazemos a caminho na inconsciência, o que nos leva por vezes a perguntar “porquê isto, porquê a mim?” E continuarão essas questões enquanto os olhos não se abrirem e os ouvidos não despertarem para atender a chamada.

Faz a tua parte, dá o melhor de ti a cada momento. Dá porque é essa a tua condição e prepara-te para receber, sem esperares nada.