As armadilhas da mente

Pois bem querida mente, de onde vêm as tuas conversas que desorientam, na tentativa absurda de orientação?

Estás sempre a prever cenários dramáticos de destruição, de que o meu mundo pode ruir a qualquer momento. Se quiser ir para a esquerda ai que os outros vão chamar-te louca rejeitar-te, se fores para a direita ai que te vai faltar o sustento. E com tantas armadilhas pelo caminho, mais vale mesmo ficares sossegada no conforto do sofá, com o comando na mão. Afinal estás no comando. Estás a decidir pela tua segurança, estás a manter-te a salvo. Iupi!

Afirmas  verdades absolutas, certezas inquestionáveis, de que o caminho é sempre em frente, sem desvios, nem atalhos. Ignoras e contrapões tudo o que é novo e disruptivo. Há que ter o controlo, ter o comando.

E quando te atreves a sonhar?! Ficas-te mesmo por aí em mar alto, na viagem dos cenários terríveis da tempestade, a temer o pior e a criar todo o tipo de desfecho.

E de onde vem essa animação toda da mente? Dos arquivos das tuas memórias subconscientes, da informação que foste gravando dos conhecimentos que recebeste, das experiências que correram mal, do que observaste das histórias dos outros.

E onde alojas também parte dessa informação? Na tua mente, intelecto e vontade. Reflete-se na tua visão, a forma como olhas o mundo, no chackra do 3º olho. A digestão que fazes do que recebeste, influencia pois o teu chackra do plexo solar e vai ditar como te relacionas com o teu Poder e Vontade.

O ego é a principal faculdade com que o ser humano fragmenta a unidade consigo mesmo e o resto da existência. O abuso do ego é a principal maneira pela qual as pessoas rompem com a Essência, criam e perpetuam doença.

A necessidade de ser amado, de se sentir pertença começa logo na tenra infância, e é aí que o ego começa a ser formado nesse instinto de sobrevivência e assumir o comando da personalidade. Como tenho de ser para que me amem, para que vejam, para que validem e possa fazer parte do clã?

A destrinça entre o Eu Essência e o Ego passa a ser tão gigante, a perpetuação da dualidade dentro, que deixa-se de saber que Voz é esta que se manifesta, se é a visceral de sobrevivência da personalidade ou da vontade do coração.

É preciso Quebrar! Percorrer a estrada desconhecida que rompe com os medos da personalidadezinha. Deixar ir o controlo, da ilusão da segurança externa e do controlo em si. Denunciar amorosamente os monstros que habitam dentro de perda, de desadequação, de rejeição e abandono. E quando não houver mais nada, ficar aí no vazio e descansar no silêncio.

É um caminho. De desapego de conceitos, crenças, valores, em que se vai treinando pouco a pouco. E para isso há que ativar a observação interna para escutar as vozes que se manifestam diariamente dentro. Se estás em piloto automático, a fazer, sempre em ação, não vais conseguir ouvir, ou se ouvires, não vais escutar e vais prolongar o ritmo de sempre. A mente quer estar no comando, logo não é conveniente que pares para escutar essas vozes limitantes.

Há que ir às profundezas do ser para conhecer os seus mecanismos e poderes ter um papel ativo. Sim vais encontrar resistências. Vais descobrir novos medos. Quem vou ser eu se abandonar estas verdades que regeram toda a minha vida até aqui? E se ninguém me reconhecer mais? Elas podem-me limitar, mas já aprendi a lidar com elas, e se não gostar do que vier a seguir? Não quero a dor, mas quem sou eu sem a minha dor? O que vou colocar no lugar?

Perguntas que tiram o chão debaixo dos pés, sem garantias que vai continuar a haver chão. E se houver mais chão, mais caminhos, mais possibilidades, para quê ficar na gruta, quando tens um mundo pela frente para conhecer. O infinito e mais além?

Já dizia Nelson Mandela, o que nos assusta não é o medo de sermos inadequados, mas podermos ser poderosos e brilhantes no esplendor máximo.

Interessante as armadilhas que o ego nos apresenta para nos reduzir. O ego é a nossa faculdade de pensamento volitivo, ou a nossa escolha de pensamento auto-consciente. As suas atividades incorporam também as nossas estruturas do inconsciente. Tem capacidade para discriminar, seleccionar, mas não cria. O ego pode apenas juntar conhecimento, memorizar, repetir, copiar, classificar, induzir, deduzir e fazer escolhas. O ego é apenas uma partícula da consciência, muito mais vasta, que a pessoa tem do universo.

Ele tem extrema utilidade e o propósito é aliar o Ego à Essência. Integrá-lo com a consciência maior para que esteja ao serviço da essência, exercendo as suas funções de escolha e discernimento e não de comando da personalidade.

Observando a raiz da palavra “Ego” que vem do grego,  representa “eu”,  “identificação” e  contração da palavra “terra”. Muitas tradições metafísicas consideram o eu como elemento análogo ao olho físico e buscam o desenvolvimento através da faculdade da visão. Em certo sentido, o ego representa o olho sobre a terra, que percebe e interpreta a realidade. O ego em estado saudável torna-se o olho da Essência.

Aquele que observa permite que flua, sem se identificar com o observado. Aceita pois o eterno movimento de contração e expansão, dando utilidade para o próximo passo no caminho.

Esse é o treino da desprogramação das correntes que te aprisionam, para que possas voar.